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  • Ricardo Resende

Concurso para AFT no Concurso Nacional Unificado. E agora?

Atualizado: 13 de set. de 2023

Minha recomendação é a de sempre: na medida do possível, procure não sofrer antecipadamente! Desde a publicação da autorização para o concurso de AFT já tivemos diversos burburinhos inúteis (por exemplo, edital em julho e nomeações em dezembro conforme "cronograma" do Processo SEI de autorização; edital com disciplinas de A a Z conforme artigo da Revista da ENIT; brigas de foice em grupos por conta de suposta regra específica para cotas etc.). Tudo isso ficou para trás. Quem sofreu a cada rajada de mensagens no "grupo de concurso" o fez à toa e perdeu horas/dias preciosos de estudo e de equilíbrio mental, tão importante para o concurseiro quanto o equilíbrio físico. Depois tivemos as primeiras informações, naquele momento ainda muito vagas, sobre o Concurso Nacional Unificado. Era uma possibilidade, mas muitos já cravavam as disciplinas que seriam cobradas num concurso conjunto com a Previc (que seria, repito, teratológico!). Sequer sabíamos se o AFT entraria no Concurso Unificado e, naquele momento, era desperdício de energia e tempo elucubrar a respeito. Hoje tivemos a confirmação da participação do concurso para AFT no Concurso Unificado, bem como a informação de que a Previc também aderiu, porém pediu para integrar outra área (Administração e Finanças Públicas). Ao que tudo indica, portanto, o concurso para AFT será realizado "sozinho" - por mais que isso soe estranho na "lógica" do Concurso Unificado -, pelo que aproveitaria, do Unificado, apenas a organização e as provas objetivas comuns (que seriam realizadas no turno da manhã). Há inúmeras questões ainda não suficientemente esclarecidas em relação ao Concurso Nacional Unificado, creio que sequer o MGI tenha certas respostas até o momento (como tudo o que é novo, vai sendo construído por saltos, nem sempre conforme inicialmente planejado), mas tenho lá minhas impressões a respeito do que foi divulgado até agora. Sinceramente não me parece que o concurseiro que vem se preparando com seriedade há algum tempo, e mesmo aquele que está chegando agora para iniciar a preparação, tenha grande prejuízo com a inclusão do AFT no CNU. Em alguns aspectos, pelo contrário.

Por um lado, acredito que a Auditoria Fiscal do Trabalho, ou seja, a carreira, perde com o concurso nesses moldes. Em minha opinião, fica um gosto amargo de debilidade institucional, de demonstração de fraqueza da carreira. Perderemos a chance de, no maior concurso p/ AFT da história, realizarmos um processo seletivo sob medida para as necessidades da inspeção do trabalho. Teremos que nos contentar com o que for possível fazer no turno da tarde do dia das provas. Em alguma medida, estão nos afastando das carreiras de Estado e nos aproximando dos "carreirões". Isso me parece bastante ruim, é claro.

Por outro lado, para quem está se preparando para o concurso vejo várias vantagens objetivas na inclusão do concurso para AFT no CNU, bem como outras possíveis vantagens, a depender dos desdobramentos.

Objetivamente, o cronograma do CNU é uma bênção para quem está estudando p/ AFT. Sai de cena a preocupação com uma possível (ainda que desde sempre improvável, como mencionei várias vezes) antecipação do edital para outubro ou novembro, fixando as datas: você conhecerá as regras detalhadas do concurso em 20 de dezembro e fará provas a partir de 25 de fevereiro (data indicativa inicial, ainda mencionada aqui), muito provavelmente apenas em março. Serão seis meses daqui até as provas, tempo suficiente para uma boa preparação inclusive para quem está começando agora: 720h de estudo p/ quem tem 4h/dia; 1.080h de estudo p/ quem tem 6h/dia; 1.440h p/ quem tem 8h/dia. É muito tempo para muitas vagas!

Com o CNU está praticamente descartado um grande temor dos concurseiros, que era eventualmente ter a FGV como organizadora do AFT. Embora ainda não tenha sido definida a forma de organização, fala-se em Cebraspe (não adianta discutir, agora, se seria C/E ou múltipla escolha... parem de sofrer antes da hora!), e não sabemos qual será o grau de interferência da comissão do CNU na definição de disciplinas, conteúdos etc. Logo, na pior das hipóteses, dos males, o menor. Gosto de Cebraspe? Não, especialmente pelo concurso horroroso que fizeram em 2013. Na falta de banca própria, entretanto, é o que temos de menos pior pra hoje.

Com a FGV praticamente fora do páreo, dará pra respirar em relação a Informática (provavelmente será explorada no conteúdo tradicional, não em fluência de dados, como na RFB), Língua Portuguesa (que, nas provas da FGV, é triste) e correção das discursivas (os corretores do Cebraspe têm a mão mais leve...). A propósito das discursivas, com o concurso no CNU é praticamente certo que as discursivas serão no mesmo dia (leia-se tarde) das provas objetivas. Isso terá três prováveis desdobramentos:

a) não dará para colocarem muitas questões de discursivas, então é de se pressupor que as discursivas versarão sobre as disciplinas nucleares (provavelmente Direito do Trabalho e SST, envolvendo conhecimentos interdisciplinares de DH, DC e DAD, o que, aliás, eu venho falando há muito tempo também).

b) não dará para colocarem muitas disciplinas específicas, pois os candidatos só terão a tarde para específicas + discursivas. Isso provavelmente eliminará do edital determinadas bizarrices, como as que o Cespe incluiu em 2013.


c) a expectativa mais certa sobre a discursiva (estamos falando, por enquanto, de probabilidades, mas logicamente elas me parecem relativamente seguras) ajudará na definição de estratégia de preparação específica para a 2ª fase.


Além disso, há expectativa de RLQ e Direitos Humanos na prova da manhã, como disciplinas do ciclo básico/comum, então me parece que essas duas disciplinas não devem vir pesadas demais, como poderia acontecer num concurso dedicado para AFT.


O que eu recomendo que você faça agora? Continue firme em seus estudos, especialmente naquilo que diz respeito às disciplinas básicas do AFT (Direito do Trabalho, SST, Direito Constitucional, Direito Administrativo, Direitos Humanos, Língua Portuguesa e RLQ). Quer acrescentar alguma disciplina a esse grupo? Administração Pública virá. Ética na Administração Pública (já foi cobrada de forma autônoma em concursos anteriores p/ AFT) deverá estar no ciclo básico/comum. Informática ("normal") também deverá aparecer na prova da manhã. O restante dará para fazer em três meses, do edital até as provas, com relativa tranquilidade.


Sobre todo o resto não temos informações ainda. Cada dificuldade a seu tempo.

Abraço e bons estudos! Ricardo Resende

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